O prédio na Rua Nascimento Silva onde Tom Jobim viveu

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Matéria do Rio – Casas & Prédios Antigos

Há exatos 91 anos, nascia no Rio de Janeiro Tom Jobim, um dos maiores expoentes da música popular brasileira e um dos criadores da bossa nova. Em comemoração a essa data especial a nossa página relembra a história de um dos prédios mais importantes para esse artista mundialmente conhecido.

O Edifício da década de 1950 está localizado na Rua Nascimento Silva, nº 107, em Ipanema. Tom Jobim, sua mulher Thereza Hermanny e seus filhos Paulo e Elizabeth viveram nesse prédio, no apartamento do segundo andar de dois quartos e ampla sala, entre os anos de 1954 e 1960.

Neste período, Tom compôs várias músicas com seu parceiro Newton Mendonça, inclusive “Desafinado” e “Samba de uma nota só”. Fez a “Sinfonia do Rio de Janeiro” com Billy Blanco, e “Orfeu da Conceição” com Vinícius de Moraes. Nesse imóvel nasceram também as parcerias com Vinicius que Elizete Cardoso gravou no long-play “Canção do Amor Demais” e aconteceram os ensaios com João Gilberto das músicas do primeiro LP do cantor, “Chega de Saudade”.

É praticamente o lugar onde nasceu a bossa nova. Duas placas na entrada do edifício tombado pela Prefeitura, de apenas quatro apartamentos, contam um pouco dessa história. O eterno imóvel de Tom, falecido em 1994, pertence a seus herdeiros.

Vinícius de Moraes e Toquinho, na belíssima composição ‘Carta ao Tom 74’, descrevem a importância desse endereço para a música brasileira:

“Rua Nascimento Silva, 107
Você ensinando pra Elizete
As canções de canção do amor demais

Lembra que tempo feliz
Ah! que saudade
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz

Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E, além disso, se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor

É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar um novo amor

Rua Nascimento Silva, 107
Eu saio correndo do pivete
Tentando alcançar o elevador

Minha janela não passa
De um quadrado
A gente só vê cimento armado
Onde antes se via o Redentor

É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com a natureza
É melhor lotear o nosso amor”

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